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Muita gente sempre pergunta como usar a fonte adequada ao projeto em questão. Outros repetem o bordão: “para que existem tantas fontes à venda?” No geral, as pessoas sempre querem os atalhos para cumprir seu trabalho de modo mais rápido e eficiente. É a lógica dos livros de autoajuda. Ninguém quer se aprofundar em nada, bastam àquelas dicas preciosas.

Em entrevista para a edição de novembro da revista web design, fui questionado sobre o assunto e ressaltei que os princípios básicos da aplicação tipográfica devem levar em consideração os pilares do design visual: harmonia, contraste, legibilidade, espaçamento, alinhamento e adequação ao briefing.

O que falei acima todo mundo deveria saber e pode-se dizer que são regras gerais estéticas, metodológicas, que facilitam a vida de qualquer designer na hora de escolher fontes. Mas isso não é muito pragmático. E as dicas?

Ok, então vamos a elas. Enric Jardí no seu simpático livro com 22 conselhos sobre o assunto nos diz que: [ em tradução livre ] todos os estilos de letras expressam algo, assim devemos escolher fontes que transmitem algo que o texto conta. Em outras palavras, as fontes possuem personalidade e ao usarmos elas, nos apropriamos desse conjunto de informações e comunicamos algo mais do que simplesmente o próprio conteúdo do texto. Podemos perceber alguns desses conceitos na imagem acima que inaugura o texto. Ali temos as fontes Montada, Broxa, Force, Adriane, InterFace e algumas sugestões de adjetivos relacionados a elas.

Outro exercício para entender esse conceito é relacionar tipos com imagens. Juan Pablo de Gregorio no blog letritas, em um post intitulado sensibilidade tipográfica, relaciona o tom de voz com a personalidade da letra. Como fica difícil criar uma imagem para o tom de voz ele representa a voz por meio de pessoas. No fim das contas, essas imagens dão uma boa ideia de como podemos combinar letras com situações determinadas.

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Spiekermann e Ginger no livro Stop Stealing Sheep & find out how type works, alertam sobre os aspectos funcionais das fontes. Ou seja, existem fontes que são criadas para fins específicos como: jornais, revistas, sinalização, para facilitar a leitura e aprendizado infantil entre outros. Nesse caso, o aspecto estético vem atrelado ao uso da fonte. Portanto, a pesquisa da fonte para determinados projetos com prioridades funcionais de leitura, deve-se começar a partir da seleção das fontes desenhadas para um fim especifico. Num segundo momento, pode-se optar pela fonte referenciando os aspectos estéticos entre os tipos pesquisados e não o inverso, como é muito comum acontecer.

No final das contas percebemos que combinar fontes em um projeto não é tão fácil como parece, é uma missão complicada e sujeita ao repertorio individual e conhecimento sobre o assunto. Dito isso, fica a pergunta: O que uma cerveja, uma banda de pop rock, uma agência de propaganda e uma linha de produtos alimentícios para redução de colesterol têm um comum?

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Sobre o autor

Gustavo Lassala é professor e designer em São Paulo, Brasil. Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pelo Mackenzie, Bacharel em Design (Programação Visual) pela USJT e Técnico em Artes Gráficas pelo SENAI Theobaldo De Nigris”. Por meio da marca BRtype (www.brtype.com), cria, produz, e comercializa fontes digitais pelo distribuidor americano MyFonts.


  1. jair on quarta-feira 11, 2009

    Essa da Becel, realmente foi foda… exceto se você pensar em light na contra-forma.
    Lembro-me da aula da priscila, tinha um fator sutl que ela comentava: Escolha por época e por região. Ex. Um livro de um autor inglês de meados do século XX, poderia usar uma fonte conterrânea e da mesma época.
    Abs!

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  3. Pedro Moura on quarta-feira 11, 2009

    O cartaz dos Paralamas tem uma fonte brasileira.. o adorno logo abaixo da URL da Rádio UOL faz parte da dingbat X-tudo, do Vinicius Guimarães!

    http://viniguimaraes.com

  4. Primeira Visão on quarta-feira 11, 2009

    Realmente a escolha da fonte certa exige um estudo profundo, eu mesmo perco mais da metade do projeto definindo as fontes.

    Excelente artigo, até.